segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os adoçantes artificiais emagrecem?

Os adoçantes artificiais emagrecem?

          Somos bombardeados com anúncios diários induzindo-nos a substituir o açúcar por adoçantes artificiais, no cafezinho, no chá, no café da manhã. A promessa é que, desse modo, evitamos engordar por estarmos ingerindo menos calorias. Optamos então pelos refrigerantes adoçados com adulcorantes químicos, os ditos light, antes chamados de diet... Acreditamos, inclusive, que estes sejam mais saudáveis. Não é assim?

          Mas você já parou para pensar até onde isso pode ser verdadeiro e se, de fato, está beneficiando o seu corpo? Os adoçantes artificiais visam atender às pessoas diabéticas, que não podem ingerir açúcar devido a dificuldade de processá-lo. Para elas, criaram-se os alimentos e bebidas diet. Primeiro veio a Sacarina, depois os Ciclamatos, os dois derivados do petróleo. Ambos foram acusados de aumentar a incidência de câncer na bexiga. Ciclamatos são proibidos em alguns países, entre eles o Canadá. Depois surgiu o Aspartame, um produto sintético com as mesmas calorias do açúcar, em peso, porém 200 vezes mais doce que a sacarose do açúcar. É o resultado da combinação química do ácido aspártico e a fenilalanina, juntamente com o metanol, o álcool metílico, álcool da madeira, altamente tóxico.
          Como, porém, as quantidades de metanol usadas e as doses são muito pequenas, considera-se que não causam intoxicação. Não são levados em conta os efeitos cumulativos! Há limites diários reconhecidos de ingestão, muito pequenos, que o corpo é capaz de suportar.
          Estes são os adoçantes artificiais de maior uso, mas há mais. A ação de todos eles parte do princípio de que o organismo não os reconhece como nutrientes, por isso não os metaboliza. São, no entanto, substâncias que precisam ser expelidas pelo corpo e, em conseqüência, aumentam a tarefa do fígado e dos rins. Mesmo sendo próprio somente para diabéticos, milhares de pessoas sadias usam o adoçante artificial no seu dia-a-dia, bebem refrigerantes diet ou light com o propósito de se livrar de calorias, pensando em não engordar. Este foi o grande argumento mercadológico usado. Mas a verdade é que há maneiras mais fáceis de livrar o corpo de calorias, sem ter de recorrer a adoçantes artificiais e sem precisar sujeitar-se aos riscos que eles oferecem. Ainda que se admita não terem efeitos tóxicos, perturbam o metabolismo. Isso acontece porque o corpo sempre detecta estes adoçantes e se prepara para digerir carboidratos, mas falha. A resposta do organismo a isso é um maior coeficiente de absorção da glicose dos carboidratos ingeridos durante o dia, portanto, exige mais insulina a ser liberada para o sangue. E veja que muita insulina no corpo, o hiperinsulinismo, faz parte do processo de acumular gordura!
Light x Diet
          Freqüentemente, há uma confusão nesses dois termos quando nos referimos a alimentos com modificações feitas pelo homem. O produto denominado Light, geralmente industrializado, é aquele em que os constituintes como por exemplo: gorduras e açúcares, ricos em calorias; são reduzidos a níveis mais baixos que o usual. Já o produto Diet é isento de um determinada substância, geralmente utilizado por pessoas com patologias específicas, como por exemplo, diabéticos.
          O fato é que os adoçantes artificiais não são em absoluto saudáveis. Pelo contrário, oferecem risco à saúde, são produtos químicos que o corpo detecta como toxinas, os rejeita. Tidos como inofensivos aos adultos, no entanto, gestante jamais pode tomar aspartame, porque os seus efeitos sobre o feto são incertos!
          Será sempre menos prejudicial ao organismo usar açúcar, em vez dos adoçantes químicos, mas com moderação progressiva! Sair do vício do doce, reduzindo sua quantidade, pelas razões estudadas no texto anterior, é uma alternativa! Prefira o açúcar mascavo ou mel, quando possível, para adocicar, ou açúcar cristal, em vez do refinado.

Emiliano Chemello e Felipe G. Pandolfo











Título: Os adoçantes artificiais emagrecem?
Tipo do recurso: Hipertexto
Objetivo: Ponderar sobre os riscos representados pelos adoçantes artificiais
Descrição do recurso: Apresenta os adoçantes artificiais, suas estruturas e destaca a ação de todos eles no organismo
Componente Curricular: Ensino Médio::Química
Tema: Educação Básica::Ensino Médio::Química::Propriedades das substâncias e dos materiais
Autor(es): Chemello, Emiliano; Pandolfo, Felipe G
Idioma: Português (pt)
País: Brasil (br)
Fonte do recurso: Universidade de Caxias do Sul (UCS)
Descrição: Noções dos principais carboidratos e dos carboidratos como fonte energética na dieta
Endereço eletrônico: http://hermes.ucs.br/ccet/defq/naeq/material_didatico/textos_interativos_01.htm
Data de publicação: 2004-02-16
Detentor do direito autoral: Universidade de Caxias do Sul (UCS)
Licença: Termo de cessão dado pelo autor, diretamente, à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Submetido por: Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)
URI: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/16338
Disponível em: Ensino Médio: Química: Hipertextos

Fonte: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/16338 
 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

1º surdo a ensinar alunos regulares, Édio agora vai aprender a falar

Édio desenvolveu método para dar aulas de Educação Física para alunos do ensino regular de São Gabriel do Oeste (Foto: Cleber Gellio) 

Édio Tadeu Leite é o primeiro professor brasileiro surdo a dar aulas para alunos no ensino regular, e é de Mato Grosso do Sul. Nascido em Campo Grande, em 2008 o professor foi aprovado em um concurso público da rede municipal de ensino de São Gabriel do Oeste, a 140 quilômetros da Capital.
Brasil a fora existem professores surdos que dão aulas por meio de Libras - sinais usados pelos surdos para se comunicar - mas com suporte de um intérprete, garante a esposa, Alice de Souza Nascimento, 28 anos. “Há casos de surdos que, sozinhos, dão aulas para outros surdos, ou contam com um tradutor, no ensino regular”, explica.
Há sete anos, os dois se conheceram enquanto ela ainda estava na faculdade, e uma das disciplinas – Libras – era ensinada por Édio. Hábil com as mãos, é Alice quem faz as vezes de intérprete para o marido nas conversas do dia a dia.
Com ajuda da esposa Alice, o professor dá aulas de Libras para funcionários da UFMS (Foto: Cleber Gellio)Com ajuda da esposa Alice, o professor dá aulas de Libras para funcionários da UFMS (Foto: Cleber Gellio)
A aprovação no concurso foi só o primeiro passo da carreira profissional para Édio: hoje, ele ocupa um cargo público federal, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) como Técnico em Assunto Educacional na biblioteca da instituição, além de coordenar um projeto voluntário que ensina Libras para difundir a língua entre os funcionários da universidade.
Agora, com 37 anos o novo desafio é aprender a falar e a ouvir: há três meses, Édio fez uma cirurgia para implantar um “ouvido biônico”, o chamado implante coclear, dispositivo que proporciona a surdos profundos a experiência de ouvir a vozes e sons e, aos poucos, vai permitir que Édio possa reproduzi-los.
O nascimento do filho Enzo, hoje com quatro anos, foi a maior motivação para que o professor tomasse a decisão de fazer a cirurgia. “É um procedimento muito delicado e que ainda levanta questionamentos entre os especialistas. Os próprios amigos de Édio pediam que ele não fizesse, mas ele estava decidido”, explica Alice, que deu o empurrão definitivo para o implante e para que o marido prestasse o concurso.
“Lá em casa, só nos comunicávamos por Libras, e isso estava começando a afetar a alfabetização do Enzo. Édio decidiu que isso não aconteceria mais, e que a fala passaria a ser mais constante”, acrescenta.
As aulas são transmitidas por videoconferência para o campus da UFMS em Bonito (Foto: Cleber Gellio)As aulas são transmitidas por videoconferência para o campus da UFMS em Bonito (Foto: Cleber Gellio)
Foi ela quem mostrou, ainda, que apesar das limitações auditivas, as chances de concorrer à vaga eram as mesmas dos ouvintes. “Desde, é claro, que ele estudasse bastante. Mas isso vale para qualquer um, não muda para quem é surdo ou não-surdo”, faz questão de dizer.
Édio é graduado em Educação Física, único requisito para ocupar o cargo na escola na zona rural de São Gabriel do Oeste, onde ensinaria alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental. Mesmo com a formação adequada, nem tudo foram flores, conta Alice. “As crianças pensavam que surdez era uma coisa contagiosa e não queriam ficar perto dele. Só lá pela segunda semana que a diretora teve a atenção de apresentar o novo professor e esclarecer que a única diferença é que ele não podia ouvir”.
Passada a fase de adaptação, Édio deixou o cargo – por causa da aprovação no concurso da UFMS – como o “queridinho” dos alunos. “Era um apego só. Como era na zona rural, as roupas dele chegavam cheias de barro porque os mais novos enchiam ele de beijos”, lembra Alice.
Na volta para a Capital, com a ajuda de Alice, Édio dá as aulas presenciais de Libras às quartas-feiras para funcionários interessados em aprender a língua, que também são transmitidas por videoconferência para o campus de Bonito.
Édio, que aprende as primeiras palavras, mostra o sinal em Libras para sua palavra favorita: Alice (Foto: Cleber Gellio)Édio, que aprende as primeiras palavras, mostra o sinal em Libras para sua palavra favorita: "Alice" (Foto: Cleber Gellio)
Aprendendo a falar e ouvir – O implante coclear foi feito há três meses. Agora, as primeiras palavras começam a sair da boca de Édio. “Enzo” e “Alice, eu te amo”, foram as primeiras frases formadas.
O dispositivo não pode ser completamente ativado – para que não haja um “choque” do paciente, que até então não ouvia nada. Aos poucos, novos sons e frequências vão sendo incorporados, e o volume alterado.
“É mais uma barreira que o Édio vai romper. Sabemos que não vai ser um fala fluente, como de alguém que nasceu falando e foi praticando ao longo da vida, mas, um dia, que não está longe, ele o Enzo vão poder conversar normalmente”, comenta Alice.
A inclusão dos surdos na sociedade é uma bandeira que passou a ser levantada pela família. Na adolescência, ele – que não possui memória auditiva (aos três meses, uma forte infecção no ouvido causou a persa da audição, descoberta dois anos depois) - optou por não usar o aparelho auditivo externo.
“Ele dizia que não fazia efeito, que não ajudava a ouvir e simplesmente jogou fora. Mas isso está errado, é a partir desta atitude que o surdo passa a se isolar. Hoje, ele está mais consciente disso”, afirma Alice.
Termos como “sociedade surda” e a briga por mais escolas que ofereçam Educação Especial deixaram de fazer parte de Édio. “Antes, eu brigava por mais escolas para surdos. Achava que Campo Grande precisava de mais projetos voltados para nós. Hoje sei que é o contrário: temos que orientar a família, que sofre um baque ao descobrir que o filho não ouve, a estimulá-lo para aprender a falar desde cedo e inseri-lo na sociedade. Você pode até estudar em uma escola para surdos, mas e depois? Vai fazer uma faculdade para surdos? Isso não existe. O surdo e tão ou mais capaz que muito ouvinte por aí”, defende, por meio de Libras, mas faz questão de dizer que, em breve, espera passar a mesma mensagem, desta vez falada.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/1o-surdo-a-ensinar-alunos-regulares-edio-agora-vai-aprender-a-falar